TANGOLERO
Cláudia Villela de Andrade
Quero pular esse muro, cair no abismo, entrar no escuro do seu violão. Quero invadir sua alma, lamber seu pecado, molhar com seu gozo, minha compreensão.
Fazer dos abraços, os meus próprios passos Marcando com lama , dor e traição. Com os olhos fechados, escutar acordada O bater da razão no nosso portão.
Você, difícil de se dominar.
Se for abismo, vou me atirar Se for muro, pretendo escalar. Se for encanto, desaparecer. Mistério, vou iniciar.
Se danço o bolero, imagino um tango Rosa tinta, podada. pinga - sangue, pétala rara.
E agora,
clavill@prosaeverso.com
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04.10.2002