 Cláudia Villela de Andrade Dividir nem sempre é generosidade, nem solidário. Dividir amor é como picar pedaços de si e jogar fora. Dividir amor é, na verdade, solitário. Os abraço, os beijo, os toques, ternuras são de natureza egoística. Não. Não dá para dividir os sentidos. Eles têm que estar inteiros. Uma questão de cheiro. Ninguém mistura perfumes. E o que eu cheiro, só pode ser meu. Egoisticamente meu. Único. Se é que existe a chama. Flexibilidade? Não invente flexibilidade para o que não pode ser flexível. Paixão é egoísta, indivisível, voraz. Flexíveis são as horas e seusponteiros. Não somos relógio, apesar de sermos tempo. É mesmo um caminhar para o abismo, rumo certo ao suicídio. Sufocante e delirantemente arriscado. É pisar no próximo passo e desequilbrar nas paradas, por isso, não podemos ser dois seres separados que se repartem com outros e mais outros. Tem que ser um. E quando longe, ser metade. Sem conveniências. Não pode existir conveniência maior que a emoção de se estar junto, mesmo que um seja pura emoção e o outro... a razão e o bem estar. É indivisível. O amor é totalmente indivisível. Se não for assim, não é amor. É apenas um momento passageiro, sem raíz, sem caule, sem vôo. E de passagem, basta o mundo que não nos fornece parada certa. Meu coração tem que descompassar, senão sou calma, controlada, coerente e sã. E quem ama de verdade, não é são. Então, não me fale mais de conveniências e flexibilidades. Tenho nada disso. Nem quero ter. O que eu quero é ser egoísta, insana, descompassada, mas fiel ao meu mais-que-perfeito. Ao que trago no peito agora: o amor que sinto desse jeito, sem tirar nem pôr. Indivisivelmente meu. Cláudia Villela de Andrade
clavill@prosaeverso.com Leia mais sobre Cláudia clicando em seu nome ou em
www.claudiavilleladeandrade.prosaeverso.com |